03 dezembro 2010

A HOMEOPATIA, O ENVELHECER E A FÍSICA QUÂNTICA

Um novo olhar sobre o envelhecimento, sob a perspectiva da física quântica, e a contribuição da homeopatia para uma vida mais saudável

Um pouco de história

A homeopatia é uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde 1980, sendo exercida exclusivamente por médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários. Surgiu em 1796, a partir da publicação de um artigo original do médico alemão Samuel Hahnemann (1755 – 1843), "Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicamentosas”. Hahnemann era um médico com qualidades de cientista. Depois de formado, sentiu-se profundamente frustrado com a prática médica de sua época, onde usavam-se as sangrias, os purgantes e as sanguessugas como meios de tratamento, sem resultados satisfatórios e com intensos efeitos colaterais. Decidiu, então, abandonar a medicina e dedicar-se à tradução. Em 1790, ao traduzir a obra “A treatise of Matéria Médica”, do médico e professor escocês William Cullen, Hahnemann despertou para a idéia que se solidificou como a Lei dos Semelhantes. No livro, discutiam-se os efeitos da substância Quinina (Cinchona officinalis) no tratamento da malária.
Movido por curiosidade e intuição científicas, Hahnemann decidiu provar, nele mesmo, o medicamento. Após ingerir Quinina, observou em si o aparecimento de sintomas semelhantes aos das crises febris da malária (esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça) e seu desaparecimento ao cessar o uso. Repetiu várias vezes o experimento e depois continuou fazendo provas com arsênico, mercúrio, ópio e outras substâncias. Inspirado pelo trabalho do médico, anatomista, botânico, fisiologista, e poeta suíço Albretch Von Haller (1708–1777) – considerado um dos maiores fisiologistas modernos e criador da fisiologia experimental – que preconizava o estudo do medicamento na pessoa saudável, antes de ser ministrada ao doente, Hahnemann incluiu seus parentes nas experiências, observando e anotando pormenorizadamente os resultados. Após vários anos de experimentos e pesquisas, publicou seu primeiro trabalho sobre o tema em 1796.
Para o preparo dos medicamentos, desenvolveu um método próprio: as ultradiluições e as dinamizações homeopáticas. As doses infinitesimais são obtidas diluindo-se uma parte da substância em 99 partes de água (ou solução hidro-alcoólica), seguindo-se da dinamização, que consiste na agitação vigorosa do frasco. Este método permite a liberação da essência medicamentosa contida na substância, tornando-a um medicamento.
Assim, definiu as bases filosóficas de seu novo modelo terapêutico, criando as Leis da Homeopatia: a experimentação no homem sadio; as doses infinitesimais e o princípio da semelhança. Além desses princípios, Hahnemann definiu como base da homeopatia a observação do paciente como um todo, incluindo os sintomas mentais e físicos: tratar o indivíduo doente, e não a doença. Hoje, usamos o termo “holístico” para designar a abordagem do homem como ser integral, formado de corpo, mente e espírito.

A homeopatia hoje

Neste ponto, podemos fazer uma correlação com as idéias da física quântica, para respondermos a uma pergunta recorrente: como age a homeopatia?
O medicamento homeopático não age por mecanismos bioquímicos ou em nível molecular, como os medicamentos alopáticos. O que ocorre é uma ressonância vibratória entre a energia do medicamento e a energia do indivíduo. Assim, temos a possibilidade de modificar o padrão vibratório que está em desequilíbrio (manifestando-se como doenças), permitindo que o próprio organismo corrija o padrão “equivocado”, e o indivíduo retorne ao seu estado de harmonia, recuperando a saúde (física, mental e espiritual).
Segundo a física quântica, tudo no universo gira em torno de energia, ondas, raios, correntes e vibrações, do movimento de prótons, elétrons, nêutrons, fótons e outras partículas atômicas, subatômicas e elementares. Quanto mais o homem investiga a natureza, mais se convence de que vive num reino de ondas, transfiguradas em luz, eletricidade, calor ou matéria, segundo o padrão vibratório em que se exprime.
Nós somos energia. A diferença entre aquilo que vemos e aquilo que não conseguimos tocar ou perceber está relacionada ao fato de que os nossos sentidos captam somente aquilo que está em nossa frequência vibratória – podemos dizer que o nosso mundo se restringe ao que nossos sentidos podem captar. O que nos parece matéria seria um campo de energia magnética vibrando na frequência de percepção daquele que observa.

Ciência e espiritualidade em sintonia

Hoje, um dos temas mais debatidos e estudados sob o prisma da física quântica é a terceira inteligência, a inteligência espiritual (a primeira inteligência está relacionada à capacidade intelectual, e a segunda é a inteligência emocional). A inteligência espiritual, segundo a filósofa e física americana Danah Zohar, é a que leva o ser humano a criar situações novas – a perceber, por exemplo, a necessidade de mudar de rumo, de investir mais num projeto ou de dedicar mais tempo à família, nos leva a indagar se essa é a vida que queremos levar.
A ciência busca respostas que preencham as lacunas deixadas no campo emocional dos indivíduos, decorrentes do modelo capitalista e materialista. A valorização da inteligência espiritual vem resgatar nossa essência humana, através do desenvolvimento de nossa capacidade de encontrar um propósito para a vida e de lidar com os problemas existenciais que surgem em momentos de fracasso, de rompimento e de dor.
Sabe-se, atualmente, que as conexões entre os neurônios do cérebro determinam nossa capacidade mental, e que nossas experiências determinam que tipo de conexões faremos. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que esse processo se completava quando o indivíduo tinha por volta de 18 anos. A partir daí, a capacidade cerebral só tinha um caminho - ladeira abaixo. "Hoje, os neurocientistas sabem que pessoas de mais de 90 anos ainda têm condições de mudar as conexões em seus cérebros", afirma Danah Zohar. Novas conexões, relacionadas a novos paradigmas, levam a novas maneiras de ver o mundo. Isso significa uma grande mudança também em nossa sociedade, na maneira como encaramos o envelhecimento.

Envelhecimento: novas perspectivas

É certo que as células sofrem um desgaste natural com o passar dos anos. Porém, no campo emocional e no nível das idéias, ocorre o contrário. Quanto mais experiência de vida, quanto mais a mente estiver aberta para o novo, quanto mais projetos a pessoa tiver para desenvolver, mais viva ela estará. Ampliará a capacidade de mudanças em suas conexões neuronais.
O processo de envelhecimento é doloroso para a maioria das pessoas de nossa sociedade, onde predominam o consumismo, o culto à beleza e à forma física, em detrimento do conhecimento intelectual, das emoções e da espiritualidade. Porém, as propostas de mudanças de paradigmas vêm trazer um alento àqueles que não compactuam com as “velhas idéias”.
Hahnemann, em sua época, chegou a ser considerado louco e foi banido dos meios acadêmicos, por suas idéias estarem à frente do seu tempo. Porém, vemos que tudo o que foi descoberto por ele, no final do século XVIII, agora encontra uma explicação “lógica”, que supre nossas necessidades científicas, apegados ainda que somos às idéias Newtonianas em relação à matéria.
As novas idéias em geral levam um certo tempo para serem digeridas pelo “homem comum”. Mas não cabe mais ficarmos parados, esperando que as coisas aconteçam, vendo a vida passar ao nosso redor. Temos que agir, pensar e sentir o quanto pudermos, senão, correremos o risco de ficarmos para trás. Vamos nos conectar a esta nova onda de pensamento que está invadindo o mundo científico, o campo das idéias, dos sentimentos, das emoções e da espiritualidade. Utilizemos todos os meios que estão ao nosso alcance (que não são poucos), para nos tornarmos pessoas melhores, mais saudáveis e felizes.
Não é por acaso que as terapias alternativas vêm ganhando cada vez mais espaço. Elas se ampliam de acordo com a demanda por serviços e tratamentos que estejam em sintonia com as necessidades daqueles que se encontram doentes e procuram métodos menos agressivos, sem efeitos colaterais, e que procurem curar o que realmente está doente, que é o nosso interior. A doença do corpo físico exprime um desequilíbrio interno, das emoções, dos sentimentos e dos pensamentos. Da mesma forma, uma sociedade doente demonstra que os indivíduos que a compõem estão doentes.
Então, que tal seguirmos o exemplo de Mahatma Ghandi, que propôs: “Seja a mudança que você quer para o mundo”. Não importa a sua idade, nunca é tarde para mudar, afinal todos queremos o mesmo: a paz no mundo, que conseguiremos através da conquista de nossa paz interior.